29/05/2012

Pastoral da Juventude – Jeito Jovem de ser e viver





Escrever sobre a história da Pastoral da Juventude é recordar de tantos jovens que de uma maneira ou de outra ajudaram a escrever esta história. Algumas vezes marcada pelas dificuldades, outras vezes desenhadas com canetas coloridas da alegria, do dinamismo, do jeito jovem de fazer pastoral.

A história da PJ se confunde com a história da igreja e da sociedade, durante um bom período o jovem não foi ouvido, não foi respeitado. Na década de trinta com o surgimento da ação católica passos importantes para o crescimento do protagonismo juvenil foram dados. A ação católica geral fortaleceu-se quando começou a pensar em uma organização por meios ou ambientes de ação, dando inicio a ação católica especializada Juventude Operária Católica (JOC), Juventude Estudantil Católica (JEC), Juventude Universitária Católica (JUC), Juventude Agrária Católica (JAC) e Juventude Independente Católica (JIC). Com o regime militar muitos destes grupos acabaram sendo instintos, ou passando para uma linha mais política.

Durante o regime militar era proibido reunir-se em grupos, havia repressão, violência, tortura e silenciamento de todos, nos grupos da juventude não foi diferente, foi um período de medo e de calar-se, mas, não parar. Na igreja como um todo, começa a surgir as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), formando os pilares da Teologia da Libertação. A juventude impedida de se encontrar em meios específicos, forma grupos de encontros nas igrejas, surgindo movimentos como o Emaús, o CLJ, entre outros. Estes grupos eram coordenados por adultos, alguns destes adultos percebendo que era necessário um algo a mais, resolveram se encontrar em diversos momentos para refletir sobre isto.

Aqui no Rio Grande do Sul, na década de 70 inicia-se os congressos estaduais de jovens, foi um período de buscas e reflexões. Neste contexto no ano de 1980, fundou-se o Instituto de Pastoral de Juventude (IPJ) e o Curso de Assessores de Jovens (CAJO). Em 81, sente-se a necessidade de organizar-se uma Comissão Regional de Jovens (CRJ), nesta década surgem os jovens liberados em diversas dioceses. E as Pastorais da Juventude se organizam por meios específicos, PJE (Pastoral da Juventude Estudantil), PJR (Pastoral da Juventude Rural), PJMP (Pastoral da Juventude do Meio Popular) e a PU (Pastoral Universitária). 

O ano de 1985 foi muito marcante, sendo declarado como ano internacional da juventude, realizou-se em Passo Fundo um grande encontrão de jovens, reunindo aproximadamente 45.000 jovens. Em 1992, a Campanha da Fraternidade trouxe como tema: Juventude, caminho aberto. De 1994 até 2006, de quatro em quatro anos aconteceram os encontros estaduais de Jovens, comemorando o Dia Nacional da Juventude. Estes encontros que aconteceram em Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Canoas, reuniram uma multidão de jovens de todo o estado do Rio Grande do Sul, com temas sobre a realidade social da juventude eram espaços de reunir-se e refletir sobre os problemas enfrentados pelos jovens. Quem participou de algum destes encontros guarda com carinho na memória cada experiência vivida.

Em nossa diocese não foi diferente, é importante recordar dos encontros diocesanos comemorando o DNJ, vários jovens reunidos, celebrando, cantando e vivendo o jeito jovem de ser igreja. Outro ponto significativo da história são os encontros de formação, destacando as Escolas da Juventude, os Cursos, atualmente as Missões Jovens e todo o seu processo de pré e pós-missão.

A Pastoral da Juventude durante toda esta caminhada percorreu um caminho de muitas pedras, mas também de muitas flores, quantos jovens que nestes eventos ou na organização de seus grupos fizeram e continuam fazendo esta história acontecer. Somos Pastoral da Juventude, acreditamos que outro mundo é possível, e em conjunto com aqueles que também acreditam podemos construí-lo a cada dia.






25/05/2012

Mensagem dos delegados do 8º Encontro da Pastoral Juvenil do Cone Sul

Mensagem dos delegados do 8º Encontro da Pastoral Juvenil do Cone Sul



Mensagem dos delegados do 8º Encontro da Pastoral Juvenil do Cone Sul
"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda Criação." (Mc 16, 15)

Nós jovens e assessores da Pastoral Juvenil da Região Cone Sul da América Latina, compreendida pelos países Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, nos reunimos na comunidade Padre Hurtado, no Chile, no 8º Encontro Regional do Cone Sul para partilhar, refletir e concretizar o horizonte comum de nossa região.

Nestes dias de encontro, tivemos a experiência do amor fraternal que viveram os primeiros cristãos, com a convivência do encontro com Cristo presente em cada um de nós enquanto indivíduo e comunidade.

Podemos dizer com alegria, força e convicção, porque experimentamos a partilha de nossos dons, que entre nós não haviam necessitados (At 4, 34). Diante de nossas reflexões e vivências, queremos apresentar à sociedade, à nossa Igreja e aos Jovens do Cone Sul nossos sonhos e compromissos com uma vida plena para todos.


À Sociedade

Diante de uma realidade onde reina o individualismo, a apatia e que as estruturas da sociedade propõem um estilo de vida dominado pelo imediatismo e egoísmo, estamos comprometidos, a partir do encontro com Cristo, a transformar a nossa realidade com nosso discipulado missionário.

Muitas vezes somos julgados e julgamos a sociedade sem olhar o que se tem por dentro. Precisamos do apoio de toda a sociedade e propomos a cooperação mútua com ela, de modo a confiar em nós mesmos e nela.

Nós nos comprometemos a trabalhar em conjunto com todos para a transformação desta realidade de morte, que oprime e exclui grande parte da sociedade, tendo como ponto de partida e inspiração o Projeto de Jesus Cristo.


À Igreja

Como os jovens da Região Cone Sul, sonhamos ser protagonistas de uma transformação eclesial que responda aos sinais dos tempos e ao nosso horizonte comum, sendo este formar uma Pastoral Juvenil orgânica, integradora e atraente que promova o encontro pessoal e comunitário com Cristo.

Para fazer efetiva a opção preferencial pelos jovens, apresentada nas Conferências Episcopais Latino-Americanas de Medellín, Puebla, Santo Domingo e Aparecida, necessitamos ser acompanhados com qualidade, em todas as nossas realidades juvenis e em nossa própria linguagem. Isso não será possível sem uma formação adequada do clero e dos acompanhantes das comunidades juvenis.

Nos comprometemos a motivar e incentivar os jovens que representamos para atuar, a partir deste sonho comum, em nossas paróquias, comunidades eclesiais de base, movimentos apostólicos e nos meios específicos (rural, estudantes, migrantes, indígenas, etc) e para transformar os nossos países com a luz do Evangelho, construindo a Civilização do Amor.


À Juventude

Diante de nossas limitações como Pastoral Juvenil, devemos superar essas barreiras e ir além, pondo força na mensagem que o evangelho nos propõe, saindo ao encontro dos outros e anunciando a Boa Nova de Jesus ressuscitado com um olhar esperançoso e positivo sobre a realidade que vivemos como jovens.

Conhecendo a realidade da juventude, que por vezes obriga-nos a migrar em busca de uma melhor qualidade de vida ou motivos de estudos, como Pastoral Juvenil, cremos no processo de acompanhamento como fonte para aumentar ou manter nossas forças no Senhor. Como jovens membros e protagonistas da Igreja e da sociedade, nos arriscamos a obter um espaço para a participação e reflexão sobre os processos de mudança dos quais fazemos parte.


Conclusão

Impulsionados pelo desejo de "ser o mundo no coração da Igreja e ser Igreja no coração do mundo" (Puebla, 786), queremos questionar e, por consequência, assumir estes compromissos com forma de confiança, contribuição e presença na sociedade e na Igreja.

Apesar de nossas fraquezas, nós acreditamos que Jesus Cristo, com quem nos encontramos de maneira pessoal e comunitária, e que nos acompanha sempre na juventude, será mestre, cabeça e condutor de nossos propósitos e de nosso caminhar.

Anunciamos a cada jovem de nossa região que isto é possível, no dia a dia, em nossos grupos e paróquias, e em todos os lugares onde Jesus Cristo se faz presente, reafirmando nosso compromisso de anunciá-lo pela Vida e pela Palavra a todos que aproximem de nós.

Encorajados pelo espírito missionário da Igreja na América Latina e Caribe e sob as bênçãos de Nossa Senhora de Guadalupe, concluímos deixando a todos, especialmente aos jovens, as palavras do Papa Bento XVI a nós jovens, em seu encontro conosco no Pacaembu, Brasil: "Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens, para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem a Igreja se apresentaria desfigurada”. Mantenhamos sempre o animo de ser esta face bela, feliz, protagonista e libertadora da Igreja e da sociedade.

Comunidade Padre Hurtado, Chile, 24 de maio de 2012.
Festa de Maria Auxiliadora.





24/05/2012

Jovem da PJ de Passo Fundo participa da1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social.

Jovem da PJ de Passo Fundo participa da1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social.
Jovem da PJ de Passo Fundo participa da1ª Conferência Nacional sobre Transparência e Controle Social.
Ai daqueles que fazem decretos iníquos e daqueles que escrevem apressadamente sentenças de opressão,para negar a justiça ao fraco e fraudar o direito dos pobres do meu povo, para fazer das viúvas a sua presa e despojar os órfãos. O que farão vocês no dia do castigo, quando chegar a tempestade que vem de longe?”. Isaías 10:1-4


 
O povo brasileiro ao longo de toda sua história sofre com uma cultura corruptiva, da colonização portuguesa até a atualidade. Pode se dizer que o grande problema da política brasileira, dentre tantos, seja a corrupção. Vivemos em um sistema democrático – mais representativo que direto, porém ainda democrático – onde a população tem um desconhecido poder de controle, e também por ele uma grande acessibilidade para conferir os gastos da máquina pública. A 1ª Conferência sobre Transparência e Controle Social surge com esse intuito, de fomentar na sociedade civil essa cultura de controle e participação, incentivar e criar medidas quais todos os cidadãos brasileiros possam usufruir. A Consocial foi formada por todo um processo, convocada ainda pelo ex-presidente Lula, emdezembro de 2010,sendo sua organização iniciada em julho de 2011; no mês de fevereiro de 2012 ocorreram as etapas municipais, em março as estaduais e, durante os dias 18, 19 e 20 de maio, a nacional, em Brasília. Nela a sociedade civil, membros de conselhos públicos e o poder público desenvolveram propostas dividas em quatro eixos: “1 – Promoção da transparência pública e acesso à informação e dados públicos; 2 – Mecanismos de controle social, engajamento e capacitação da sociedade para o controle da gestão pública; 3 – A atuação dos conselhos de políticas públicas como instâncias de controle; 4 – Diretrizes para a prevenção e o combate à corrupção”. Em cada etapa escolhiam-se um determinado número de propostas para que fossem discutidas nas etapas de maior âmbito.


 
Como juventude protagonista de sua própria história, a Pastoral da Juventude esteve presente em todas as etapas, mesmo que por um lado isso nos orgulhe, por outro também decepciona: tanto na etapa municipal de Passo Fundo, com mais de 160 participantes, quanto na Estadual em Porto Alegre, nesta com 718 participantes, somente a PJ da Arquidiocese de Passo Fundo representava uma organização jovem, com a presença de Jean Carlos Demboski, Davi Rodrigues da Silva e a minha, Wagner Azevedo, foi uma representação de 0,41%! Mas não se culpa os jovens gaúchos, a divulgação da imprensa fora insignificativa e também a organização das Conferências estadual e nacional foram ineficientes. Tomemos como exemplo o estado do Roraima, todas as Conferências foram feitas em escolas, desse modo mobilizando os estudantes a lutarem pelos seus direitos, não se omitindo, exercendo a cidadania e combatendo o grande mal que desmotiva a iniciação política.Em tempos de eleição, faz-se necessária uma grande campanha publicitária para os adolescentes de 16 e 17 anos aproveitarem seu direito de voto. Parece que a política assusta, e de fato assusta, mas “de quem é o grito que nos faz tremer?”. A juventude deveria ter medo da politicagem, ou essa politicagem é que deveria temer uma juventude instruída, sonhadora, aguerrida e defensora de seus direitos? 

Na Conferência Nacional, a juventude fez-se mais presente, mesmo que a proporção tenha sido baixa. Estavam membros de conselhos municipais, pastorais e movimentos da Igreja, partidos e ONG’s. Registro a grande presença de membros e ex-membros da Pastoral da Juventude que reconheciam, elogiavam e, até mesmo, exaltavam bandeira da Arquidiocese de Passo Fundo presente na capital federal. Esse reconhecimento orgulha pelo motivo de ver a PJ presente e firme nas questões sociais da nação, intrinsicamente utilizando de sua formação integral, em prol do Reino de Deus, e pelo fato da importância histórica de nossas lutas. Assim, foram defendidas propostas que incentivam a inserção da juventude nas políticas públicas, promoção de investimentos e capacitação na área da educação, tanto de base, quanto ensino superior e mecanismos de controle social com acessibilidade a todos.

A 1ª Conferência sobre Transparência e Controle Social teve seus momentos de turbulência e de desorganização, porém isso tudo devido à grande vontade de mudança que a sociedade brasileira tem. Batalhando para que essa cultura da corrupção não seja uma“infinita highway”, a corrupção não há de seguir em velocidade alta e para sempre. Nessa obstrução da “highway” está o nosso papel de jovem, sofremos com o presente, mas podemos não apenas mudá-lo, como também projetar nosso futuro. Trilhemos o nossos caminhosno seguimento do Projeto de Jesus Cristo, lutando contra as injustiças e as opressões. Com força nesse seguimento, não nos cabe aceitar a situação atual, deixemos ao Pai-Nosso que perdoe, mas unidos a ele, procuremos destruir os reinos em que a corrupção é a lei mais forte!


“Até quando vocês julgarão injustamente, sustentando a causa dos injustos? Protejam o fraco e o órfão, façam justiça ao pobre e ao necessitado, libertem o fraco e o indigente, e os livrem da mão dos injustos!”. Salmos 82:2-5

17/05/2012

Camisetas Bote Fé / Eai Tchê ?




Já está a venda as camisetas do Bote Fé / Eai Tche? 
São Camisetas e baby look de todos os tamanhos.
Nas cores preta, brancas, lilás e azul.



O Valor é de R$ 15 .
Interessados entrar em contato pelo e-mail: juventudepassofundo@yahoo.com.br 
Ou diretamente no centro de Pastoral.
Não perca tempo e compre já a sua !

10/05/2012

Entrevista de Dom Ercílio Simon

Entrevista de Dom Ercílio Simon



“O grande papel do jovem é ser evangelizador de outros jovens”

A equipe de comunicação da JMJ em Passo Fundo conversou essa semana com Dom Pedro Ercílio Simon, Arcebispo da Arquidiocese de Passo Fundo. Com grandes lições para toda a juventude, Dom Ercílio explica que a Igreja precisa acolher e orientar o jovem, que deve assumir a missão de ser jovem evangelizador de jovem. Para ele, o grande compromisso do jovem Cristão perante a sociedade pode ser resumido na construção de um mundo novo, com novos valores. Dom Ercílio fala também sobre o setor Arquidiocesano de Juventude, sobre a realização da Jornada Mundial da Juventude no Brasil e, para concluir, provoca o jovem a “por a mão na massa”!

Qual é o papel do jovem perante a Igreja?
Dom Ercílio: O grande papel da juventude é ser uma força transformadora na Igreja, por isso o jovem deve ocupar o seu espaço na comunidade. Atualmente, eu considero que esse espaço da juventude nas comunidades está meio vazio. Têm sim jovens em todas as comunidades, mas comparando com as escolas, por exemplo, percebemos que a maioria não ocupa seu espaço na Igreja. O jovem tem que participar da comunidade, não só assistir, não só chegar de vez em quando, quando um companheiro está casando ou em um batizado, mas sim participar da vida da comunidade, e para isso existem muitos movimentos e pastorais que propiciam essa participação. Para mim o grande papel do jovem é ser evangelizador de outros jovens. Jovem evangelizando jovem. A presença do jovem deve marcar um ambiente diferente na Igreja, ou seja, mais alegre, através de sua animação, de sua música, de seu canto e da sua alegria de viver.

E o papel da Igreja perante o jovem?
Dom Ercílio: A Igreja precisa saber acolher a juventude, mesmo que este acolhimento signifique distúrbio, barulho... O jovem precisa se sentir acolhido na Igreja. E ela não pode apenas propiciar essa acolhida, mas também saber orientar, já que o jovem está atualmente desorientado pela perda de valores no mundo. A Igreja deve, então, mostrar o caminho para o Jovem. 

Na sua opinião, qual é hoje o principal compromisso do jovem Cristão?
Dom Ercílio: O jovem precisa estar de olhos abertos para a realidade, ou seja, não concordar com tudo que há no mundo, mas ver quais são os problemas, as situações que estão erradas na sociedade. Saber dos contra valores que predominam no mundo e ter uma postura em relação a isso. Outro compromisso é realizar ações organizadas, com seriedade na análise e nas propostas perante a sociedade. Sendo assim, o compromisso social do jovem Cristão pode ser resumido na construção de um mundo novo, com novos valores.

E os desafios? Quais são os principais desafios que o jovem enfrenta atualmente?
Dom Ercílio: Um dos grandes problemas é que a nossa sociedade está muita secularizada, ou seja, a dimensão espiritual está muito ausente, o que vale é o aqui e o agora, apenas o conforto individual, e o jovem sofre essa perda de valores. Junto com isso vem também o comodismo, há muitos jovens acomodados, em todos os sentidos, não só em ações transformadoras, mas até no modo de viver. Vemos muito jovens que preferem ficar no sofá, em frente a televisão, do que jogar uma partida de futebol, por exemplo. O terceiro desafio talvez seja a superação do pansexualismo, onde o sexo é usado para tudo, para vender um carro, um perfume ou qualquer coisa, ele se torna um apelo. Isso mexe demais com a cabeça do jovem e até influencia nas suas atitudes.

O que o contato com a juventude lhe proporciona?
Dom Ercílio: Me lembro do tempo que eu trabalhava com os jovens, fui professor e formador durante muitos anos. Você estar com os jovens no dia a dia é rejuvenescedor, agente esquece que tem 70 e quer sair jogando bola de novo. Eu me sentia mais jovem quando trabalhava com os jovens. Isso proporciona também um olhar para a frente, esperando melhores dias para a Igreja, para as comunidades e para o mundo todo. 

Como o senhor vê a juventude na nossa Arquidiocese?
Dom Ercílio: Como toda a juventude é uma juventude sedenta de valores. O jovem é sempre idealista, reformista e isso é próprio dele. Ao mesmo tempo os jovens são muito carentes, carentes de atenção do governo, da comunidade, da escola e até da comunidade eclesial. Por outro lado, uma boa parte de nossa juventude está organizada, marcando presença nas comunidades, tanto as pastorais como os movimentos. Isso é, para nós, motivo de esperança, porque a juventude que participa de um movimento fica marcada pelo resto da vida, no sentido de ter feito uma coisa boa, de ter participado e vibrado a força do jovem.

E a organização do setor juventude?
Dom Ercílio: Em primeiro lugar a CNBB já insistia conosco para organizar um espaço que pudesse unir toda a juventude, para que não ficassem as pastorais de um lado e os movimentos de outro, respeitando as características de cada um desses grupos. Isso trará um efeito muito bom para o nosso trabalho. As forças divididas não levam a nada, enquanto as forças somadas levam rapidamente para frente. Eu vejo, então, como uma grande esperança.

O que a realização da JMJ no Brasil pode trazer à juventude brasileira?
Dom Ercílio: Toda a Jornada vai ser uma grande evangelização dos jovens do Brasil. Em toda a parte a juventude está sendo sacudida em um grande momento de evangelização da juventude, mostrando que seguir a Cristo também é um motivo de festa e de alegria da juventude. Espero que possa trazer um novo tempo para a Igreja Jovem do Brasil.

O Senhor poderia deixar uma mensagem para a juventude?
Dom Ercílio: Sugiro que todos arregacem as mangas, ponham a mão na massa e ajudem para que a JMJ aconteça de fato aqui na Arquidiocese através da peregrinação da cruz e do ícone. Que vocês jovens, não se omitam nesse momento. Se, por acaso, não puderem participar fisicamente, acompanhem pelos jornais e rádios, se fazendo conhecedores daquilo que está acontecendo na nossa Arquidiocese e na nossa Igreja. 


Por Victória Holzbach, referencial da comunicação da JMJ na Arquidiocese de Passo Fundo

09/05/2012

PJ toma posse em cadeira titular na nova gestão do Conselho Nacional de Juventude.

PJ toma posse em cadeira titular na nova gestão do Conselho Nacional de Juventude.


 

A reunião da Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude (PJ) realizada entre os dias 27 de abril a 1º de maio, em São Paulo/SP, aprofundou diversas temáticas da ação da PJ pelo Brasil. Entre elas destacou-se a atuação e presença da Pastoral da Juventude no Conselho Nacional de Juventude (CONJUVE), em especial após a eleição da sociedade civil para o o CONJUVE no biênio 2012 e 2013 ocorrida no último mês em Brasília/DF, momento em que a PJ foi eleita titular em uma das cadeiras do segmento religioso.
Criado em 2005, o CONJUVE é composto por 20 representantes do governo federal e 40 da sociedade civil, sendo maioria no CONJUVE. Organização que reflete a diversidade dos atores sociais que contribuem para o enriquecimento do diálogo sobre as políticas públicas para os jovens brasileiros.
Mais uma vez a Pastoral da Juventude (PJ) ocupará o espaço na nova gestão como um dos representantes do segmento religioso. Tendo participado dos últimos fóruns de políticas de juventude no Brasil, a PJ compõe o CONJUVE desde a primeira gestão e ao longo dos anos teve participações significativas como a presidência do Conselho por meio da sua então Secretária Nacional, Elen Linth;  bem como, a participação na 1ª e 2ª Conferência Nacional de Políticas Públicas de Juventude;  contribuiu na construção da Rede Nacional de Conselhos de Juventude e uma expressiva colaboração nos conselhos estaduais, tendo presidido o Conselho de Juventude da Bahia, do Amazonas e de dezenas de municípios em todo Brasil.


A participação da PJ caminha em sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 (CNBB) ao afirmar que é necessário “cada vez mais a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, promovendo-se formação permanente e ações concretas”, especialmente “a participação, ativa e consciente, nos Conselhos de Direitos” (DGAE, n.115) como também “nos empenharmos na busca de políticas públicas que ofereçam as condições necessárias ao bem-estar de pessoas, famílias e povos (DGAE, n.116).
Além de Elen Linth, os jovens Edney Santos, da Arquidiocese de Manaus (AM) e Alexandre Piero, da Arquidiocese de São Paulo (SP), representaram a Pastoral da Juventude no conselho durante as últimas gestões. Em 2011, a PJ colaborou na construção da metodologia da 2ª Conferência Nacional de Juventude, assim como na articulação das Conferências Virtuais e também na mobilização das juventudes pelo país.
Para assumir a nova gestão da PJ no CONJUVE, foi escolhida a jovem Paula Cervelin Grassi, 22 anos, da Diocese de Caxias do Sul (RS), que assume a representação da Pastoral da Juventude, no biênio 2012-2013, nesse Conselho. Paula, estudante de Licenciatura em História, foi representante da PJ na Comissão Organizadora da 1ª Conferência Municipal de Juventude de Caxias do Sul (2007), bem como na Comissão Organizadora da 2ª Conferência Estadual de Juventude do Rio Grande do Sul (2011), além de delegada da 2ª Conferência Nacional de Juventude (2011). Foi coordenadora da PJ da Diocese de Caxias do Sul (2008-2009) e da PJ do Rio Grande do Sul (2010-2012). Participou pela sua diocese da delegação brasileira em 2011 para a Jornada Mundial da Juventude, em Madri, na Espanha. Atualmente integra a Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude, representando o Regional Sul 3 da CNBB, o estado do Rio Grande do Sul, serviço esse que se encerra em setembro deste ano.


A escolha da jovem Paula Cervelin Grassi decorreu por meio da indicação de todos os regionais de atuação da PJ, além da reflexão durante a reunião da Coordenação Nacional da Pastoral da Juventude sobre o perfil do/da jovem que representará a PJ.
A posse dos novos membros da sociedade civil eleitos acontece no dia 8 de maio durante a 28ª Reunião Ordinária do Conselho Nacional de Juventude, em Brasília/DF.
As contribuições da PJ no CONJUVE continuarão sendo trilhadas por meio do diálogo e parcerias com os demais movimentos e entidades que integram este Conselho, bem como em diálogo com as orientações da Igreja do Brasil.
Caso queira saber mais a respeito da atuação da PJ no CONJUVE acesse a nossa página no endereço: conjuve.pj.org.br ou escreva para conjuve@pj.org.br.

Autor/Fonte: PJ Nacional

08/05/2012

Pastoral da Juventude da Arquidiocese de Passo Fundo se reúne em Marau para o encontro Despertar para a Missão



Após muita preparação, expectativas e mobilização, aconteceu nos dias 5 e 6 maio, no Salão Paroquial Frei Gentil, o encontro chamado Despertar para a Missão, que reuniu aproximadamente 100 jovens de toda a Arquidiocese de Passo Fundo. Essa foi a primeira etapa de formação do Projeto das Missões Jovens da Pastoral da Juventude na área pastoral de Marau. O encontro teve como tema central a análise da realidade juvenil e foi assessorado pela Irmã Jaqueline Zilli.
Durante a manhã e tarde do sábado, dia 5,houve uma reflexão sobre os diversos jeitos de ser jovem e discussões, em grupos, sobre os sonhos, preocupações e ações das juventudes. Depois dessa conversa, os grupos elaboraram, com muita criatividade, encenações, músicas ou poemas que foram apresentados para todos os participantes do encontro. Ainda no sábado, a juventude participou, com toda a comunidade,de uma cativante e animada missa na Igreja Matriz Cristo Rei, preparada pelos jovens da PJ. Foi um momento muito marcante, onde lembrados os jovens vitimas de violência e também celebramos os sonhos da juventude e o processo das Missões Jovens.  Depois da missa, a juventude foi acolhida com muito carinho nas casas algumas famílias marauenses, onde passaram a noite.
Na manhã do domingo, os jovens se reencontraram animados e empolgados para mais um dia de trabalho. As atividades foram retomadas com uma oração realizada no Recanto Franciscano e, depois, com a continuidade da assessoria. Na oportunidade, houve uma dinâmica em que os jovens puderam conversar sobre suas vivências de fé. O momento foi concluído com a patilha da experiência missionária que a Irmã Jaqueline teve na Bolívia.
À tarde, as atividades seguiram-se na Praça Municipal Dr. Elpidio Fialho, onde, através de várias apresentações, os jovens puderam manifestar sua arte, sua cultura e seus talentos. O evento também contou com a participação da Invernada Mirim do CTG Sentinelas do Pago e de diversos músicos. Como uma atividade da Campanha Nacional Contra a Violência e Extermínio de Jovens, foi realizada a Ciranda Pela Vida, um grito pedindo vida para a juventude. Além da ciranda, uma bandeira, que continha a frase “EU CUTO LUTAR PELA VIDA DA JUVENTUDE” pintada, foi marcada com as mãos de todos os jovens que participaram do encontro. A comunidade presente na praça também foi convidada a participar.
Foi um ótimo fim de semana, cheio de protagonismo juvenil, animação, partilhas reflexões. O encontro despertou nos jovens a vontade de ser missionário e a alegria de viver em grupo.
JosieliLazzarotto

02/05/2012

É caminhando que se faz o caminho


Somos seres históricos. Isso significa que somos inseridos e condicionados em uma realidade com dimensões: social, política, cultural, econômica e religiosa.
Não estamos sós. Fazemos parte de uma sociedade que tem uma organização própria e que também apresenta seus problemas. A sociedade atua constantemente sobre nós e, se não interagimos positivamente com ela, corremos o risco da delinqüência, exclusão social e de sermos paralisados pelo pânico. Pânico de viver, pânico de empobrecer; pânico de perder o emprego, o carro, a casa, as coisas, pânico de não chegar a ter o que se deve ter para chegar a ser[1]. Nós atuamos positivamente sobre a sociedade na medida em que somos capazes de elaborar projetos sócio-transformadores e colocá-los em prática.
Na convivência entre as pessoas humanas estão presentes a busca do bem comum e as relações de poder. Cada pessoa deve, a partir do exercício da cidadania, assumir a dimensão social e política de sua existência, através do protagonismo pessoal e da participação na construção do bem comum, utilizando, para esse fim, todos os meios legítimos e lícitos que estiverem ao seu alcance.
Todos os povos têm seu modo próprio de vida, seu modo de ser constituídos por valores e tradições construídos ao longo do tempo. Esses valores e essas tradições garantem a identidade de um povo e possuem sua legitimidade. Todas as pessoas têm a responsabilidade de contribuir para que a cultura do seu povo torne-se um caminho que conduza ao bem de todas as pessoas.
A crise da modernidade e os problemas dela decorrentes afetam muito a vida das pessoas, principalmente porque poucas entendem o que está acontecendo e, muito menos, quais os novos rumos que podem ser tomados, o que faz com que se incomodem, mas não procurem caminhos de superação. E enquanto isso, o mundo ao avesso nos condena a padecer a realidade ao invés de transformá-la, a esquecer o passado ao invés de escutá-lo e a aceitar o futuro ao invés de imaginá-lo ou de reinventá-lo.
A crise da modernidade não deve, portanto, ser confundida com o fim das utopias e da esperança. Existem também aspectos positivos, pois começam a surgir sinais e caminhos novos. A crise não significa a perda de valores e princípios. Eles são como bússolas, que permitem caminhar sem se perder, mesmo diante de obstáculos que exigem mudar de estrada. Mesmo que, em dado ponto, não existam estradas e elas tenham que ser construídas, eles são referência e mostram que é necessário levar a sério o dito: "é caminhando que se faz o caminho". Através das lutas de libertação, dos gestos que criam estruturas solidárias e não excludentes, da construção da organização popular é que, pouco a pouco, vai surgindo e se delineando a sociedade nova. A valorização de experiências transformadoras rumo a uma sociedade nova permite que a sociedade abra-se e liberte o futuro. Não basta conhecer a realidade para poder transformá-la, é preciso agir sobre ela e com ela.

Edivane Rodrigues
Catequista e acompanhante de jovens
Diocese de Chapecó
 Eduardo GALEANO, De pernas pro ar: a escola do mundo do avesso, p. 20.